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literatura ou quase

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TRADUZIR-SE

 

 
Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.

uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.

Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.

Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.

Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.

Traduzir-se uma parte
na outra parte
– que é uma questão
de vida ou morte –
será arte?

 

Poema de Ferreira Gullar musicado por Raimundo Fagner em 1981. Aqui, num dueto com Chico Buarque.

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Written by passeipostei

02/06/2011 às 23:13

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