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literatura ou quase

Um poema de Artur da Távola

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Soneto Inascido

O poema subjaz.
Insiste sem existir
escapa durante a captura
vive do seu morrer.
O poema lateja.
É limbo, é limo,
imperfeição enfrentada,
pecado original.
O poema viceja no oculto
engendra-se em diluição
desfaz-se ao apetecer.
O poema poreja flor e adaga
e assassina o íncubo sentido.
Existe para não ser.

 

 

Paulo Alberto Moretzsohn Monteiro de Barros nasceu no Rio de Janeiro em 1936, morrendo na  mesma cidade em 2008. Cassado pelo regime militar, na década de 1960, exilou-se na Bolívia e no Chile. Quando retorna ao Brasil adota o pseudônimo Artur da Távola. Homem de sete instrumentos, além de escritor foi advogado, jornalista, professor e político (deputado federal e senador) e grande conhecedor de música (MPB e erudita). Alguns livros: A liberdade de ser, Bossa Nova, Diário doido do tempo, Do Amor – ensaio de enigma, Em flagrante.

 

 

 

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Written by passeipostei

29/07/2011 às 16:53

Publicado em Poemas

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