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literatura ou quase

Poemas de Ledo Ivo

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A SÍLABA

 

O mundo inteiro cabe numa sílaba
e nela me refugio
para esperar a aurora.

Aprendi que Isto é Aquilo.
Não preciso aprender mais nada.
Já sei o essencial.

A noite guardou as chuvas de verão
e agora amanhece.
O dia é um voo de pássaro.

 

QUEIXA DO EDITOR DE POESIA

 

“Poesia não se vende,
ninguém a entende!”
− suspira o editor.
Poesia! Poesia!
Ninguém te entende.
És como a morte e o amor.

 

 
O POETA MODESTO

 

Este é o meu legado:
poeira, vento e espuma.
Tudo é sempre nada
e coisa nenhuma.

 

A GERAÇÃO DE 45

 

Em 45
éramos uma legião.
Hoje sou, sozinho,
uma geração
e ao que antes fui
– se é que fui quando era
a minha quimera –
digo sempre não.

 

 
LAPA

Esta noite o amor do mundo mira-se no espelho
da puta desdentada vestida de vermelho.

 

 

ledo_ivo

Ledo Ivo  (Maceió, 18∕02∕1924 – Sevilha, 2312∕2012) era membro da Academia Brasileira de Letras. Deixou uma obra variada incluindo contos, ensaios, romances e poesia. Alguns livros:   Ode ao crepúsculo, Mar Oceano, Plenilúnio, O flautim, Um domingo perdido, Ninho de cobras, O navio adormecido no bosque, A ética da aventura, Confissões de um poeta.

 

 

 

 

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Written by passeipostei

27/12/2012 às 22:52

Publicado em Poemas

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