passeipostei

literatura ou quase

Poemas de Nicolas Behr

leave a comment »

 

 

         

 

 

 

          os mais belos versos

          as facas mais afiadas

          as cordas infalíveis

          os tiros certeiros

          os edifícios altos

 

          aliás, o que

          mata mais?

          a falta

          ou o excesso

          de poesia?

 
 
 
 
 
 
 
 

 

KWANDO EU ENLOUQUECER

 

 

no sinal de trânsito,

maltrapilho, entre os pedintes,

papel e caneta na mão:

escrevendo poemas ou

anotando as placas dos carro?

ou rabiscando um desenho

do batman? Ou te oferecendo

um verso louco

em troca de um abraço?

um trocado?

ou apenas fingindo?

 

te reconheço

não me reconheces

 
 
 
 
 
 

POEMA ANTIAJUDA

 
 
 
 

felizes os fracos de espírito

pois estes têm gurus

felizes os que ainda botam fé

no ser humano

felizes os que sabem ler

e têm algo para comer todos os dias

felizes os que criam o inferno

para depois prometer o paraíso

felizes os indiferentes, que não se

comovem com nada e sofrem menos

felizes os que mentem para si mesmos e

acreditam piamente nisso

felizes os infelizes, pois estes são os

verdadeiros iluminados

felizes os que nunca choram e, portanto,

não passam vergonha

felizes os que têm autoconfiança,

autoestima, automóvel

felizes os amigos dos poderosos,

que tudo querem, tudo podem

felizes os que acreditam no amor de Cristo

pois estes não têm mais salvação

felizes os andarilhos, os indecisos, os

confusos, os sem-rumo-na-vida

felizes os que choram com facilidade pois

estes estão sempre reciclando

a água parada dos seus olhos, fazendo

chover nos seus corações

felizes os piegas, os românticos

ultrapassados, os bregas, os que falam de

amor sem medo do ridículo, nem que seja

para faturar uma grana boa naquela

música que vive tocando no rádio e o

povão adora

felizes os que escrevem livros de auto-

ajuda e ganham muito, muito dinheiro, que

é o que realmente importa, que é o que

realmente interessa

 
 
 
 
 
 
 
 

O HORROR, O HORROR         

 

 

 

como, depois de ler nos jornais a notícia

da morte do menino, que foi torturado

com óleo quente para revelar o paradeiro

do pai, escrever um poema?

 

como se olhar no espelho?

como dividir com vocês

todo esse ar que respiramos?

como ficar indiferente

e passar a próxima página?

como sair na rua e desejar

bom dia aos que passam?

 

como continuar vivendo?

 

 

 

 

 

 

 

 

Poemas do livro viver deveria bastar. Edição do autor.

 
 
 
 
 
 

Anúncios

Written by passeipostei

29/05/2013 às 11:54

Publicado em Poemas

Tagged with ,

Passou, gostou? Comente.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: