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literatura ou quase

CHAMEGO *

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Raimundo de Moraes

 

 

 

 

 

 

Marília!, gritavam lá do jardim.
Zezé enxuga o rosto molhado de suor.
– Acho que Tavinha chegou.
Marília põe no chão a travessa de castanhas-de-caju e sai correndo.
Na sala Sofia já recebia as visitas.
– Os bondes estão cheios demais, Dona Sofia – disse a avó de Otávia. Eu não aguentei tanta agitação e pegamos um carro de aluguel na Encruzilhada.
– Do portão a gente já sente o cheiro da canjica.
– Que nada, minha filha. Zezé nem terminou de ralar as espigas… Deve ser a canjica da vizinha. Este ano não pude ajudar na cozinha. Uma dor vem descendo do ombro até às pontas dos dedos, o braço formigando…
– Ah, eu sei o que é isso, disse a avó. Dor nos ossos deixa a pessoa toda desarrumada por dentro.
Dona Sofia olhou para a visita com certo espanto. Nunca tinha ouvido falar em estar desarrumada por dentro. O que esta criatura quis dizer? Enfim.
As primas riam, conversavam baixinho.
– Mamãe, vou com Tavinha pro meu quarto.
– Vá, minha filha, vá. E a senhora, Dona Celina, quer alguma coisa? Um café, um refresco? Olhe, não se acanhe.

 

Bandeirinhas_Sao__Joao

 

 

– E então? Enfiou a faca?
– Enfiei. Apareceu um C. Eu não conheço nenhum rapaz com a letra C.
– Você já tirou a faca da bananeira, Otávia? Era pra tirar hoje à meia-noite! Assim não funciona! Hoje é véspera do dia de Santo Antonio. O dia mesmo é amanhã.
– E o que é que tem? À meia-noite vou estar aqui, como ia tirar? Você fez a sua?
– Estamos sem bananeira aqui em casa. A única mais perto é a do quintal de Seu Galindo, que não gosta de papai, já brigaram por causa de política. Mas coloquei as agulhas na bacia e as duas se encontraram. Acredita?
– Acho essa adivinhação das agulhas meio fraca. Você nem é noiva nem nada. Por que não coloca os papéis enrolados debaixo do travesseiro?
– Colocar o nome de quem? Pois eu só quero aquela pessoa…
– Aff. Você ainda acredita que Netinho vai aparecer por aqui? Dois anos fora e só escreveu três cartas.
– Ele mandou um cartão liiiindo no Natal. Mamãe achou de muito bom gosto.
Sentou na beira da cama. Apertou as mãos da prima.
– Um segredo. Só para nós duas. Mandei uma foto minha com dedicatória e uma carta convidando ele pro meu aniversário.
Falar em aniversário era uma tristeza para Otávia. Marília nascera no dia de São João e ela no dia de Finados. Sempre fizeram sua festa no dia seguinte, em respeito aos mortos.
– E você acha que ele vem?
– Não sei, não sei. Agora que a guerra acabou, o que ele vai ficar fazendo no Rio Grande do Norte?
– Pode ser que ele tenha encontrado outra moça por lá…
– Lá vem você! Só para me contrariar!
Otávia admirava a fidelidade da prima à memória de Netinho. Só tinham se encontrado algumas vezes nas matinês do Cine Ideal, no Pátio do Terço. Trocaram bilhetes. Quando o namoro parecia começar, o Brasil entra na guerra e lá foi Netinho pra base aérea de Natal.
– O que você vai usar esta noite? Quer ver o meu vestido? – Tavinha começa a remexer nas duas sacolas que trouxera. Ergue um vestido.
– Olhe só. Não é lindo? A costureira disse que copiou igualzinho de um filme, A sombra de uma dúvida. A gola descendo assim é pra disfarçar meu pouco busto.
Aproximou-se do espelho do guarda-roupa segurando o vestido sobre o corpo.
– O que acha, Mari?
Menos eufórica, Marília tenta disfarçar a insegurança que a outra lhe plantou na alma.
– É lindo, Tavinha. Não fiz roupa nova pra Santo Antonio, só pro meu aniversário.
– Mandou fazer? Qual o modelo?
– Já provei, fica pronto terça-feira. É assim: acinturado, saia reta. Posso usar com ou sem casaquinho.
Tirou o vestido das mãos de Tavinha e colocou sobre o seu próprio corpo. As duas ficaram refletidas no espelho.
Oh meu Deus, além de nascer no dia de Finados, não tenho peito nem quadril. Sou uma desgraçada. Marília vai casar logo e eu…
Ajoelhou-se aos pés da cama:
– Ah meu Santo Antonio! Fazei que eu arranje um bom rapaz e faça um bom casamento. Prometo rezar uma novena todo ano em sua graça!
Marília riu.
– Vixe, se acalme. O C vai aparecer hoje.
– Não brinque. Todo mundo olha pra você, tem sempre alguém interessado. Eu não quero acabar vitalina como sua tia Dinorá, segurando vela pros namorados. Deus me livre!
– Que besteira, Tavinha. Você é bonita e jeitosa, vai arranjar um par.
Sentiu-se mal por mentir. A prima magrela lembrava-lhe um bicho, mas não sabia qual. Um ganso?
Otávia se levanta do chão, senta na beira da cama. Olhando para o assoalho diz baixinho:
– Tenho uma pra te contar… daquelas
– O quê? – distraída, Marília ainda observa o efeito do vestido da outra sobre o seu corpo.
– Lembra de Raquel? Aquela loira?
– Aquela que estudou conosco no São José?
– Sim.
– E então?
– Acabou o namoro de um ano.
– Por quê?
Tavinha corre pra cochichar no ouvido da prima:
– …o namorado chupou a língua dela num beijo. E ainda tentou alisar as coxas.
Senta na cama de novo, muito séria. Olha a imagem de Marília no espelho e aguarda sua reação. A outra segura com força o vestido sobre o peito, se sente corar.
– Como se faz uma nojeira dessa com uma moça de família, não é, Mari?
– Eu…
Uma vez no carnaval, no corso da rua da Concórdia, um Arlequim perfumado também fez isso com ela. E ela… e ela… correspondeu.
Se dissesse a Otávia, o que a prima iria achar? Provavelmente ia contar pra todo mundo também.
– Você não acha que Raquel fez certo?
– Acho que sim. Mas um ano de namoro… Tem certeza que só foi esse o motivo?
– Só esse? E você deixaria que algum rapaz fizesse isso com você, hein?
– Não, claro que não.
Dobrou o vestido, colocou sobre uma cadeira. Antes, estava disposta a contar para Otávia que descobrira escondido na estante do pai um livro chamado Nossa Vida Sexual, do Dr. Fritz Khan. Mas agora achou perigoso demais revelar esse segredo. Pensou em até mostrar o livro para ela. As figuras… Numa parte, um homem e uma mulher. Nus. E as ilustrações sobre as doenças venéreas? Se Tavinha as visse talvez vomitasse ou desmaiasse.
Abriu mais as cortinas.
– Finalmente a guerra acabou. Não aguentava mais aqueles blecautes, aqueles panos pretos nas janelas.
– Eu também.
– No dia de São João vou tirar o atrasado. Vamos comemorar o meu aniversário e a paz no mundo.

 

Bandeirinhas_Sao__Joao

 

 

– Sente, Dona Celina, sente.
Sofia a guiava pela cozinha. Zezé ralava as últimas espigas. Ao seu redor, vários cocos partidos e uma camada extensa de palhas e sabugos de milho.
– Tem café pronto na mesa, Dona Sofia.
Celina lembrava bem da cozinheira. Ela fazia o melhor doce de mamão verde que já comera em sua vida. Estalou a língua. Encabulada, disfarçou com um pigarro.
– Quantas colheres de açúcar?
– Duas.
– Pois é. Graças a Deus acabou essa guerra.
– Tantos jovens mortos. Ai, quando penso nas dores das mães e esposas…
– Uma tragédia. Ainda bem que só tive filha mulher.
Celina lembra de Tonico, seu filho mais novo. Amancebou-se com uma radioatriz e foram embora pro Rio de Janeiro. Um escândalo. O pai não viu essa pouca-vergonha, já estava viúva. Se meu Nicanor estivesse vivo, morreria da mesma forma. De vergonha.
Pega a xícara. Fecha os olhos, aspira o aroma.
– E Yolanda, está bem?
– Toda inchada, coitadinha. Primeira gravidez, cheia de medos. Nem sai de casa. A distração dela é bordar o enxoval. – Sofia ergue o braço, abre e fecha a mão, continuamente.
– Incomoda muito?
– Dois dias que estou assim.
– A senhora tá é com o sangue grosso, disse Zezé. Se tomasse a garrafada de Pai Inácio, afinava o sangue.
Levanta do tamborete, bate com força o morim grosso que lhe forrava as pernas roliças. Abre o forno. Uma nuvem doce invade a cozinha. Sofia, que está de costas, não vê mas sente o cheiro.
– Fez quindim, Zezé?
– Fiz. Otávia gosta muito, não é, Dona Celina?
– Sim. (Eu também, eu também. Adoro).
Inclinou um pouco a cabeça para ver Zezé tirando a fornada de bolinhos. Brilhavam como joias.

 

Bandeirinhas_Sao__Joao

 

 

– Vai querer batom? É da Coty – faz um ar sedutor olhando para o espelho da cômoda. A mão parada no ar, segurando o batom e oferecendo à prima.
Tavinha pega, indecisa.
– Não é muito vermelho?
– Ah, Otávia! A cor da moda!
Mesmo assim decide não usar. Não com a avó ali lhe vigiando. E os pais viriam mais tarde para a festa.
Marília ataca no pulso seu minúsculo relógio de ouro. Seis da tarde.
Da sala, Zezé grita: quindim!
As primas saem quase correndo do quarto.
Na mesa, um grande pé-de-moleque salpicado de castanhas, pamonhas amarradas na palha do milho, um engorda-marido em fatias – e aprovado em êxtase por Celina -, queijo manteiga, uma travessa de quindins, um bule de café, outro de leite. Quando vão mexendo suas xícaras Zezé chega com um prato de tapiocas.
– Quem vai conduzir a quadrilha?, Tavinha pergunta engolindo o segundo quindim.
– Seu Juju.
– Juvelino? O do ano passado? Acho ele tão… tão..
E baixando a voz ainda mais:
– …tão amulherado.
Marília ri.
– Nem notei.
– Pois repare como ele se rebola quando faz a marcação.
-Ôxe.
Próximas ao rádio, sentadas num marquesão, Sofia e Celina escutam as últimas notas da Ave Maria. Fingem rezar em silêncio. Num gesto automático, Sofia ergue o braço, abre e fecha a mão. Fica envergonhada e se benze, como estivesse encerrando uma prece.
– Meu batom saiu, Tavinha?
– Um pouco.

A porta da sala se abre e Félix entra sorridente, gravata torta de um lado e o chapéu torto de outro. Carrega um grande pacote. Fogos para a festa. Sofia vai ao seu encontro, Celina ergue-se, pesada de bolo e café.
– Papai!
– Titio!
Ele deixa o pacote numa cadeira e abraça todas, menos Celina, que é viúva de respeito. Quando está sozinho com Sofia ele chama a sogra da irmã de asa de urubu, por causa do luto fechado.
– E os músicos, papai?
– Vão chegar daqui a pouquinho. Baião sertanejo! Tem um tal de Pedro Setembrino que vira o capeta quando toca o acordeão!
A viúva se benze. As primas riem.

Marília agarra Tavinha pela cintura e saem dançando pela sala:

Penedo vai
Penedo vem
Penedo é terra
Que Deus quer bem

Sofia vai arrastando o marido para o quarto, a roupa que ele vai usar mais tarde já está passada em cima da cama.
Marília continua a rodopiar com Tavinha, emenda outra música.

O chamego dá prazer
O chamego faz sofrer
O chamego às vezes dói
Às vezes não
O chamego às vezes rói
O coração

Celina se abana com uma revista O Cruzeiro, abre um botão da blusa que lhe aperta a garganta. Olha para a mesa com curiosidade – não provara ainda do pé-de-moleque.

 

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Às sete horas Félix e Sofia aparecem na sala já arrumados. Ele de chapéu de couro e alpercatas, ela num vestido de flores miúdas, mangas três quartos.
Sempre rodeado por mulheres, Félix se sente uma criatura abençoada. Era único filho homem da família e quis Deus que não gerasse descendência masculina. Mas não se importava. Recebia amor demais das quatro irmãs, da esposa e das filhas.
Como um menino, abre o pacote de fogos: rojões, bombinhas, busca-pés. Marília e Tavinha remexem em tudo.
O dono da casa vai até à cristaleira e bebe dois cálices de licor de jabuticaba.
– Eita licor arretado.
Se anima, chama todo mundo:
– Vamos fazer um brinde a Santo Antonio!
Pequenos cálices se enchem do líquido escuro.
– Ao melhor São João de todos!
– Ao fim da guerra!, disse Marília.
– Que Santo Antonio nos proteja, disse Otávia.
– Eu não bebo.
– O que é isso, Dona Celina? O licor da Filó é coisa dos deuses! Seis meses no fundo do baú, macerando. Pode beber, pode beber.
– Beba, vovó! É uma delícia!
Depois todos vão pra rua. Celina com um cálice numa mão e um rojão na outra.
Os moradores já estão acendendo suas fogueiras. Zezé junta quatro pedras grandes pra fazer um lume e deixar quente o caldeirão de milho cozido. Ao lado, uma cesta com os milhos que serão assados na brasa. Todos os terraços estão enfeitados com bandeirinhas e pequenos balões. O céu lampeja com os primeiros fogos.
Lá na esquina surge uma caminhonete velha cambaleando. Som de sanfonas e triângulos.
– São eles! São eles!
Levam-se cadeiras para as calçadas, meninas de laços nas cabeças correm pra lá e pra cá, meninos jogam traques de massa aos seus pés.
O cálice de Dona Celina fica vazio e seu rojão sobe impávido espalhando-se numa chuva dourada.
Juvelino surge com um lenço vermelho amarrado no pescoço. Batendo palmas, ordena:
– Vão escolhendo seus pares! Vão escolhendo seus pares! Às nove horas vamos começar a quadrilha!
– Marília, você vai dançar com quem?, pergunta nervosa Tavinha, na verdade preocupada com quem ela mesma iria dançar. Olhava disfarçadamente para os rapazes, a maioria já flertando com outras moças, outros reunidos em pequenos grupos de três ou quatro. Quem? Quem?
A prima parece não escutar, dança no meio-fio sozinha, segurando o vestido, acompanhando o ritmo dos sanfoneiros.
Zezé traz uma cadeira para Celina.
– A senhora quer mais um licorzinho?
Félix finca mais tábuas pra segurar a base da fogueira, que tem quase dois metros de altura. Risca um busca-pé na caixa de fósforos e solta pela rua, gargalha, solta outro.
– Félix!, grita Sofia. Cuidado pra não queimar os vestidos das moças!
De dentro da casa 68 os vizinhos saem carregando um balão amarelo e vermelho.
– Vão escolhendo seus pares!
– Com quem, Marília?
– Tira logo o meu milho! Assim vai queimar!
– Pois é, este ano Zezé fez tudo sozinha.
– Sai de perto! Sai de perto! Mandinho vai girar a estrelinha!
– Viu como está formosa a filha de Sofia? Moça feita. E eu vi nascer. Como o tempo passa, meu Deus.
Lentamente um Hudson verde e brilhante surge no início da rua. O motorista buzina várias vezes. Apesar da rua não ser estreita, está difícil driblar tanta criança e tanta fogueira.
– Mari, quem será?
Félix se aproxima e fica ao lado esposa.
O balão começa a subir e a vizinhança aplaude. O carro estaciona embaixo de uma árvore. Descem dois rapazes, cabelos reluzentes de brilhantina.
– É ele.
– Pelo jeito, a carta chegou, Mari.
– Quem são?, pergunta Félix comendo um milho.
– O mais baixo não sei, mas o alto é o rapaz que Marília se corresponde. Estava de serviço na Base Americana de Natal.
– Boa noite a todos.

 

Bandeirinhas_Sao__Joao

 

 

– Já escolheram seus pares? Criançada, essa é uma quadrilha de gente grande. Vamos lá, minha gente! Damas de um lado, cavalheiros de outro!
– Que surpresa, Netinho. Quase desmaiei de susto.
– Você não me convidou?
– Mas meu aniversário é só no dia 24.
– Achou ruim me ver?
Ela se encabula.
– O que é isso… Acho que foi um presente de aniversário antecipado. Quando volta pro Rio Grande do Norte?
– Dei baixa. Vou ficar aqui no Recife trabalhando com papai.
Está diferente, ombros largos, uma fala firme, parece mais seguro, mais…  mais homem.
– Mari! A quadrilha! Você não vai?
– Lembra da minha prima Tavinha?
– Lembro. Tudo bem, Otávia? Por coincidência eu trouxe um primo. Ei, Cadinho!

 

 

DJANIRA

 

 

– Balancê!
Juju se requebra em cima de uma cadeira, segura um megafone improvisado de cartolina e papel crepom, coordena os dançarinos, sorri para os músicos.
– Me escreveu tão pouco.
– Escrevi pouco mas pensei muito. E só em você.
Ela está mais bonita, tão mais cheia de corpo, tão mais… mais feminina.
– Anarriê! Preparar para a grande roda!
Aproveitando que todos se davam as mãos, Félix puxa Sofia para dançar.
– Não vou, homem! Meu braço! Meu braço!
– Se você não for, eu vou dançar com quem?
– Começar a grande roda!
– Cadinho é apelido de que nome?
– Ricardo.
– E o seu? É apelido de que nome?
– Otávia.
– Gosto de Tavinha, disse rindo.
– Também gosto de Cadinho.
A plateia acompanha a evolução da quadrilha, marca o ritmo batendo palmas. Celina bate palmas também e Zezé lhe traz outro cálice de licor de jabuticaba.
– Preparar para a chuva!
Sofia nem sentiu dor quando ergueu os braços.
Não se via mais o balão amarelo e vermelho, juntou-se a tantos outros enfeitando o céu.
– Viva Santo Antonio! Viva São João! Viva São Pedro!
– Marília, você é a moça mais linda desta festa. A mais linda de todas.
Ela ri. Afinal, por que não haveria de acreditar?

 

 

 

*Chamego (1942), primeiro sucesso de Luiz Gonzaga. Música em parceria com Miguel Lima. Imagem: Festa junina, de Djanira. Conto publicado na coletânea Recife conta o São João, Fundação de Cultura Cidade do Recife, 2008.

 

 

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Written by passeipostei

16/06/2013 às 1:16

Uma resposta

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  1. Amado Rai: você está escrevendo divinamente. O que mais gosto neste belíssimo conto é o clima. E depois dos personagens tão bem construídos, apesar da pouca descrição. E isso é o mais legal, pois você os constroi com muita segurança só nos diálogos, na força das palavras do diálogos. Eu, como leitor, fico imaginando essas mulheres (sobretudo as mulheres), recatadas e cheias de desejo, conforme deveriam ser naqueles anos 1940. Todas elas tão contidas, tão fantasiosas e românticas. Por isso, acho que esse conto lírico, poético. Você reconstitui tão bem a época, que dá um clima nostálgico, que me transportou para um tempo que não vivi. Achei lindo, Rai. Um beijo, irmão!

    Cicero Belmar

    27/06/2013 at 22:21


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