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literatura ou quase

Archive for the ‘Opinião’ Category

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João-Silvério-Trevisan

São tantas as maneiras de ser exilado. Sempre que o teu mundo de dentro não coincide com o grande mundo de fora, está criada a condição de estrangeiro e, por extensão, de exilado.

 

Trecho de Ana em Veneza, de João Silvério Trevisan.

 
 

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Written by passeipostei

24/08/2014 at 17:36

Só sei que nada sei

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Anton-Tchekhov

Já está na hora de as pessoas que escrevem, e principalmente os artistas, compenetrarem-se de que neste mundo não se compreende nada, como outrora reconheceu Sócrates e como Voltaire reconhecia. A turba acha que compreende tudo e que sabe tudo; e quanto mais estúpida ela é, mais amplo lhe parece seu horizonte. Se um artista em quem a multidão acredita tomar a decisão tomar a decisão de declarar de que ele não compreende nada do que vê, só isso já constituirá um grande saber no domínio do pensamento e um grande passo à frente.

 

Anton Tchékhov – trecho de carta para Aleksei Suvórin. Do livro Sem trama e sem final (99 conselhos de escrita). Tradução de Homero Freitas de Andrade. Ed. Martins Fontes.

 
 

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06/07/2014 at 16:58

Linguagem literária: a sua expressão

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Retrato de Laura Battiferri, de Agnolo Bronzino (detalhe).

Retrato de Laura Battiferri, de Agnolo Bronzino (detalhe).

Se a obra literária se distingue da não-literária pelo conteúdo, isto é, por um tipo de conhecimento da realidade e pelo grau elevado deste conhecimento, não deixa de se distinguir também pela forma. Distingue-se da expressão de conhecimento do homem comum, porque sua forma ou linguagem (chamada linguagem literária) é mais “rica” e mais “variada” que a do homem comum, o que é compreensível, pois o artista, isto é, o poeta, o ficcionista, o teatrólogo, sente a existência com mais sensibilidade, vê as coisas com mais acuidade, pensa os problemas da vida com mais inteligência; e quem tem mais o que dizer, diz com mais palavras e em mais complexa expressão. Além disso, o escritor, diferentemente do homem comum, é um criador de expressão, pois tem constantemente de inventar novas expressões para suas intuições. Por outro lado, a forma da obra literária distingue-se também da forma das obras de Ciências Humanas e Naturais: nestas a forma respeita a regras rigorosas, inerente a cada tipo de ciência (daí se falar em linguagem da Matemática, da Lógica, da Química), enquanto que na obra literária as regras de expressão são as criadas pelo próprio artista.
Em conclusão: a obra literária se caracteriza também por sua forma, peculiar a cada tipo de obra e fruto do esforço criativo que a produziu.

 
 

Antônio Soares Amora in Introdução à Teoria da Literatura, Ed. Cultrix. Porém, o autor desse blog tem algumas ressalvas à afirmação “quem tem mais o que dizer, diz com mais palavras e em mais complexa expressão.”

 
 

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03/03/2014 at 19:56

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25/08/2013 at 11:05

“Os livros de papel vão acabar” – Philip Roth

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Hoje, toda a cultura se encontra à nossa disposição. E isso me preocupa. A cultura literária como conhecemos vai acabar em 20 anos. Ela já está agonizando. Obras de ficção não despertam mais interesse nos jovens, e tenho a impressão de que não são mais lidas. Hoje, a atenção é voltada para o mais novo celular, o mais novo tablet. Daqui a poucas décadas, a relação do público e do escritor com a cultura será muito diferente. Não sei como será, mas os livros em papel vão acabar. Surgirá outro tipo de literatura, com recursos audiovisuais e o que mais inventarem.

 

 

Trecho da entrevista concedida a Luís Antônio Giron e publicada na revista Época em setembro de 2011.

 

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08/07/2013 at 19:43

então você quer ser escritor? – charles bukowski

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Bukowski

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

se não irrompe de dentro de você
apesar de tudo,
não faça.
a menos que venha sem pedir do seu
coração e da sua mente e da sua boca
e das suas entranhas,
não faça.
se você tem que se sentar por horas
encarando a tela do computador
ou debruçado em sua máquina de escrever
procurando palavras,
não faça.
se você estiver fazendo isso por dinheiro ou
fama,
não faça.
se estiver fazendo isso porque quer
mulheres em sua cama,
não faça.
se você tem que sentar lá e
reescrever de novo e de novo,
não faça.
se é cansativo apenas pensar em fazer isso,
não faça.
se estiver tentando escrever como outra
pessoa,
esqueça.

se você tem que esperar isso rugir de dentro de
você,
então espere pacientemente.
se isso nunca rugir de dentro de você,
faça alguma outra coisa.

se você primeiro tem que lê-lo para sua esposa
ou sua namorada ou seu namorado
ou seus pais ou para ninguém,
você não está preparado.

não seja como tantos escritores,
não seja como tantos milhares de
pessoas que se consideram escritoras,
não seja lento e entediante e
pretencioso, não se consuma com amor-
-próprio.
as livrarias do mundo têm
bocejado até dormir
sobre seu tipo.
não faça parte disso.
não faça.
a menos que isso venha de dentro
da sua alma como um foguete
a menos que manter isso
te leve a loucura ou
suicídio ou assassinato,
não faça.
a menos que o sol dentro de você esteja
queimando suas entranhas,
não faça.

quando for a hora,
e se você tiver sido escolhido,
isso será feito
sozinho e isso continuará se fazendo
a menos que você morra ou isso morra em você.

não há outra maneira.

nem nunca houve.

 

 

so you want to be a writer?

 

if it doesn’t come bursting out of you
in spite of everything,
don’t do it.
unless it comes unasked out of your
heart and your mind and your mouth
and your gut,
don’t do it.
if you have to sit for hours
staring at your computer screen
or hunched over your
typewriter
searching for words,
don’t do it.
if you’re doing it for money or
fame,
don’t do it.
if you’re doing it because you want
women in your bed,
don’t do it.
if you have to sit there and
rewrite it again and again,
don’t do it.
if it’s hard work just thinking about doing it,
don’t do it.
if you’re trying to write like somebody
else,
forget about it.
if you have to wait for it to roar out of
you,
then wait patiently.
if it never does roar out of you,
do something else.

if you first have to read it to your wife
or your girlfriend or your boyfriend
or your parents or to anybody at all,
you’re not ready.

don’t be like so many writers,
don’t be like so many thousands of
people who call themselves writers,
don’t be dull and boring and
pretentious, don’t be consumed with self-
love.
the libraries of the world have
yawned themselves to
sleep
over your kind.
don’t add to that.
don’t do it.
unless it comes out of
your soul like a rocket,
unless being still would
drive you to madness or
suicide or murder,
don’t do it.
unless the sun inside you is
burning your gut,
don’t do it.

when it is truly time,
and if you have been chosen,
it will do it by
itself and it will keep on doing it
until you die or it dies in you.

there is no other way.

and there never was.

 

Versão para o português: Iana Cordeiro.

 

 

 

Written by passeipostei

24/03/2013 at 17:26

Tomás Eloy Martínez: sobre Literatura e idealismo político

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Nós, escritores, somos todos utopistas, gente que crê em mundos ideais, que raramente se parecem com o mundo que vivemos. Os políticos mudam sempre. Eles pensam mais em si mesmos do que no bem-estar da comunidade.

Eloy Martínez (1934-2010) foi um escritor, jornalista e roteirista argentino, autor de Sagrado, La novela de Perón, Santa Evita (traduzido para mais de 30 idiomas), O voo da rainha, entre outros.

 

 

 

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10/03/2013 at 16:16

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